quarta-feira, março 9

Tecnologia leva mulheres a ocupar cargos que antes eram dos homens


Com a presença cada vez maior da automação e da tecnologia nas empresas, muitas das vagas que antes eram tidas como masculinas, por depender da força física, hoje já podem ser ocupadas por mulheres.

A histórica Congonhas deixou de ser só a cidade dos profetas de Aleijadinho pra ser também um pólo industrial. Mais de 40 bilhões de reais investidos em mineração e siderurgia mudaram o mercado de trabalho: 47 mil novas vagas na região.
“Operador de trator de esteira, soldador de chaparia e técnico mecânica, lembrando que essas vagas podem ser preenchidas por mulheres”, afirma Tales Gonçalves Costa, diretor do Sine Congonhas.
Hoje, elas competem de igual pra igual com os homens. “É o fato da automação e da tecnologia estar cada vez mais presente nas empresas. Muitas das vagas que antes eram tidas como vagas masculinas, por depender da força física hoje já podem ser ocupadas por mulheres”, declara diretor do Sine Congonhas.
Numa siderúrgica da região há três anos havia apenas quatro trabalhadoras, mas com a falta de mão de obra masculina qualificada a direção da empresa passou a ver as mulheres com outros olhos. Elas foram chegando e ocupando espaço, hoje já representam 20% do quadro de funcionários.
Ela já foi secretária, caixa, vendedora, agora é balancista: Daniele pesa carvão, sucata, ferro gusa, todo caminhão que entra ou sai tem de passar por ela. “Tem que ter muita atenção porque um erro no sistema gera uma confusão”, afirma Daniele Xavier da Silva Tavares Juliano, balancista.
Depois do trabalho ela ainda dá conta da casa, dos filhos, do marido e ainda estuda. “Tendo coragem, força de vontade, tudo consegue”, diz.
E elas vêm mesmo de um jeito avassalador, mulheres que abrem caminhos. No meio da mina são elas que deixam a pista arrumada para caminhões gigantes passarem. “Já foi a época. Sexo frágil, não existe isso não”, comenta Fabíola Ariele, operadora de patrol.
Amanda deixou de ser professora de educação física pra dominar a Patrol. “Sempre tem alguns que falam que mulher tem que ficar dentro de casa, que mulher tem que pilotar fogão, não tem nada de pilotar máquina. Mas a gente vai vencendo essas barreiras, né?”, diz Amanda Imaculada Castro da Silva, operadora de patrol.
A presença delas trouxe mudanças pra eles. “Colocam a camisa pra dentro, fecham o botão. Se preocupam não só com as palavras que estão sendo usadas no dia-a-dia”, avalia Renata Schaefer Moura, psicóloga e coordenadora de RH.
Com mulherada no comando, o chefe da oficina já percebeu: as máquinas delas dão menos defeitos que as operadas por homens. “Em vez de criticar e falar alguma coisa é aprender com elas, né?!”, declara Edmo dos Reis Cardoso, coordenador de manutenção.

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